Autor do plano urbanístico de Ariquemes, arquiteto revela detalhes da concepção do projeto
11/10/2017 - 8h27 em Rondonia

Autor do plano urbanístico de Ariquemes, arquiteto revela detalhes da concepção do projeto

Núcleo urbano foi planejado na década de 70 para atender a demanda de colonos. Ariquemes completa 40 anos de emancipação nesta quarta (11).


Por Diêgo Holanda, G1 Ariquemes e Vale do Jamari

 

 
Antiga Avenida Jamari em Ariquemes (Foto: Incra/Divulgação)Antiga Avenida Jamari em Ariquemes (Foto: Incra/Divulgação)

Antiga Avenida Jamari em Ariquemes (Foto: Incra/Divulgação)

 

Pensar uma cidade organizada no meio da Amazônia em plena década de 1970. Essa foi a missão entregue a Antonio Carlos Cabral Carpintero. O arquiteto foi incumbido de criar o plano urbanístico de Ariquemes (RO), a maior cidade do Vale do Jamari. O município que completa 40 anos de emancipação nesta terça (11), tem mais de 107 mil habitantes atualmente, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (Ibge) e o G1 produziu uma série de reportagens em comemoração à data.

Em entrevista ao G1, Carpintero contou detalhes e curiosidades sobre um dos maiores projetos da carreira.

Formado em 1970 na Universidade de Brasília (UnB), o jovem arquiteto estava decidido a trabalhar no norte do país. Após alguns meses procurando trabalho, conseguiu emprego na prefeitura de Porto Velho.

Por se destacar na Secretaria de Planejamento da capital do então Território Federal de Rondônia, chegou ao posto de prefeito em meados dos anos 70.

Como só existiam dois municípios em Rondônia na época (Porto Velho e Guajará Mirim), Carpintero era responsável pela Vila de Ariquemes, parte da cidade que hoje é chamada de Bairro Marechal Rondon.

 
Atual Avenida Jamari em Ariquemes (Foto: Diêgo Holanda/G1)Atual Avenida Jamari em Ariquemes (Foto: Diêgo Holanda/G1)

Atual Avenida Jamari em Ariquemes (Foto: Diêgo Holanda/G1)

“O Capitão Sílvio, que era o superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), me ligou e disse ‘Carpintero, eu estou com um problema aqui. Você não quer fazer uma cidade? Eu falei ‘olha, eu vou lá ver’", contou sobre o convite para o projeto.

 

A Vila Velha tinha cerca de 1,5 mil habitantes na época, boa parte formada por trabalhadores dos ciclos da borracha. Por estar em um terreno irregular entre a BR-364 e o Rio Jamari, Capitão Silvio percebeu a necessidade da formação de um novo núcleo urbano para atender a demanda dos milhares de colonos que chegavam para ocupar a região através de projetos como Burareiro e Marechal Dutra.

"Eles tinham selecionado uma área pra zona urbana, achei que estava razoável, falei 'topo', e rapidamente eu mesmo desenhei ali o projeto. Foi feito na marra, para resolver um problema imediato, que era a chegada de colonos”, revela o arquiteto.

Apesar de feito às pressas, Antonio lembra que teve cuidados com a disposição dos bairros, que em Ariquemes são chamados de setores.

"Tomei dois cuidados que acabaram norteando aquilo que a gente tem em Ariquemes. Um deles era não deixar o centro da cidade ficar ao redor da rodovia. Joguei o centro lá pra dentro e toda a parte administrativa seria na área a 3 quilômetros da rodovia", explica.

A área administrativa apontada por Carpintero é o Setor Institucional, uma faixa de terrenos no meio da cidade que serve de eixo para o crescimento urbano. Na área foram instalados os principais órgãos institucionais de Ariquemes, como a prefeitura, Câmara de Vereadores, Fórum, Corpo de Bombeiros, Ceplac, escolas, Feira Municipal, delegacia, Ministério Público, Detran e Universidade Federal.

 
Setor 1 em Ariquemes (Foto: Incra/Divulgação)Setor 1 em Ariquemes (Foto: Incra/Divulgação)

Setor 1 em Ariquemes (Foto: Incra/Divulgação)

 

"Deixei o Setor Industrial próximo da rodovia, como estratégia para acesso de cargas", explicou sobre a área próxima da BR-364 que concentra indústrias.

Nos setores 1, 2, 3 e 4, previstos no planejamento inicial, há um espaço de cerca de 10 metros entre os fundos dos terrenos, chamados de alamedas. Esses espaços foram reservados para que a coleta de esgoto nas fossas fosse feita de lados opostos aos poços de água.

"Outra coisa que eu tomei cuidado é que quando fosse abrir a rua, obrigasse os colonos a fazer o poço de uma lado e a fossa do outro. Isso era um cuidado de higiene, uma ordem geral que acabou determinando a forma que as coisas tomaram", justifica.

Posteriormente, surgiu a ideia de utilizar esses espaços para lazer e convivência das famílias no fundo de casa. No entanto, com a especulação imobiliária, as alamedas foram sendo anexadas aos terrenos, sobrando apenas uma estreita passagem, por vezes usada para descarte de lixo e com mato.

Sobre a comparação do projeto rondoniense com o da capital federal, ele diz que não houve inspiração em Brasília, que também é dividida por setores, mas assumiu a existência de referências indiretas.

"Na realidade, a preocupação com organizar a cidade é a mesma, não necessariamente foi inspirada em Brasília. Esse Setor Institucional lembra o Eixo Monumental, de Brasília, foi algo instintivo, não é uma referência direta, mas é uma referência".

De acordo com o urbanista, a mudança de volta para o Sudeste do país impediu que ele acompanhasse a execução do projeto. No entanto, ele se mostra desapegado ao comentar sobre mudanças e falhas de execução no plano criado por ele.

"Quando a gente faz plano, é um rumo para as coisas tomarem, e esse rumo as vezes é mal operado por outros. Não era um projeto fechado, era pra dar um rumo, uma ordem na cidade e facilitar a vida urbana", afirma.

 

Em 2010, o arquiteto foi homenageado na inauguração da nova sede do Poder Executivo de Ariquemes. O prédio da prefeitura foi nomeado Centro Administrativo Dr. Carpintero. A ocasião foi a última ida dele à cidade. Atualmente, ele é professor aposentado da UnB e vive em Brasília.

 

FONTE G1

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